O Coletivo

Os trabalhos artísticos desenvolvidos e disponíveis no site palaciodobrejo.com apresentam de modo minimalista a relação estabelecida entre os integrantes do coletivo e os elementos naturais, como espécies de plantas: lírio-do-brejo; capim-limão; erythrina, pertencentes ao bioma brasileiro Manguezal.

Como reconhecimento pela sua importância, os manguezais são considerados hoje Áreas de Preservação Permanente, mesmo assim continuam sendo progressivamente destruídos. A poluição é uma grande ameaça a esse ecossistema, que também sofre com a expansão urbana e industrial. O uso sustentável desse ambiente é fundamental para que ele exerça seu papel ecológico e econômico.
Monik da Silveira Suçuarana


O coletivo utiliza estes signos para provocar a comunidade a refletir acerca dos temas que alicerçam as principais questões do projeto, como a relação com meio ambiente em que vive, consumismo desenfreado e espiritualidade. Com isto, a comunidade é estimulada a deitar um olhar mais sensível sobre sua relação com recursos básicos para a existência da vida, como a água doce, os vegetais, os bichos, ar limpo.

Ensaios fotográficos e vídeos-performance trazem como recurso de comunicação elementos do meio ambiente, sejam eles os nativos, como aves e macacos da Mata Atlântica, sejam eles inseridos/alterados pelo homem, como o lírio-do-brejo e as águas represadas.

Ao utilizar em uma intervenção a sucata descartada na represa pelos usuários do parque, por exemplo, o coletivo cria simbolicamente uma conexão entre o cuidado humano para com o que é essencial à vida – a água – e aquilo que é gerado pela ação humana quando este intervém de forma destrutiva no meio ambiente.

Considera-se principalmente o contexto urbano no qual estamos inseridos, ao parafrasear a professora Marilena Chauí: “o urbano que reproduz a cultura da pressa”, e legitima uma existência caracterizada pela imediatista sociedade do consumo, do acúmulo de bens materiais desnecessários, das embalagens plásticas, da concorrência que só faz concorrer para uma degradação sem precedentes da natureza e, por extensão, de nós mesmos, que muitas vezes esquecemos que somos pequena parte de um organismo vivo chamado Terra.

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